Fazia tempo que eu não tinha um domingo com tanta cara de domingo. Olinda alta, Marisa Monte, conversas aleatórias com velhos amigos, tapioca e algumas coisitas mais ;)
Estou com a mente borbulhando, mas sem vontade de registrar num blog qualquer o que me atormenta. Para acalmar a mente e o coração leio Caio, Caio sempre Caio, me entende como ninguém, as vezes penso que ele escrevia sabendo que um dia eu ía ler...
Estou com a mente borbulhando, mas sem vontade de registrar num blog qualquer o que me atormenta. Para acalmar a mente e o coração leio Caio, Caio sempre Caio, me entende como ninguém, as vezes penso que ele escrevia sabendo que um dia eu ía ler...
"Quando percebi, estava olhando para as pessoas como se soubesse alguma coisa delas que nem elas mesmas sabiam. Ou então como se as transpassasse. Eram bichos brancos e sujos. Quando as transpassava, via o que tinha sido antes delas, e o que tinha sido antes delas era uma coisa sem cor nem forma, eu podia deixar meus olhos descansarem lá porque eles não se preocupavam em dar nome ou cor ou jeito a nenhuma coisa, era um branco liso e calmo. Mas esse branco liso e calmo me assustava e, quando tentava voltar atrás, começava a ver nas pessoas o que elas não sabiam de si mesmas, e isso era ainda mais terrível. O que elas não sabiam de si era tão assustador que me sentia como se tivesse violado uma sepultura fechada havia vários séculos...Eu agora já não conseguia permanecer em apenas uma dimensão, como eles, cada palavra se alargava e invadia tantos e tantos reinos que, para não me perder, preferia ficar calado, atento apenas ao borbulhar das borboletas dentro do meu cérebro..."
Caio Fernando Abreu
Conto: Uma História de Borboletas do livro Pedras de Calcutá